O Castelinho – História, beleza, propriedade e decadência
“É São Paulo… climatericamente uma cidade européia apenas com os inconvenientes das mais bruscas mudanças de temperatura e das teimosias de um renitente nevoeiro acacimbado, a que se chama aqui a garoa, o que pode levar mui legitimamente um cronista amigo das novidades a chamar-lhe a cidade da garoa”. Souza Pinto (1905).
Antes um oásis de luxo, vida movimentada noturna, palco da residência da alta sociedade paulistana e de rico comércio. Esses eram alguns dos sinônimos associados ao Centro da cidade de São Paulo no final do século XIX, início do século XX. Mas com migração de empresas e da classe média e alta para bairros mais distantes iniciou-se a decadência da região. Os Campos Elíseos, primeiro bairro planejado da cidade, para moradia da aristocracia cafeeira, que na mitologia grega, significa paraíso, um lugar do mundo dos mortos, onde só entram as almas dos heróis, santos, sacerdotes, poetas e deuses, governado por Hades, oposto ao Tártaro (lugar de eterno tormento e sofrimento) é um exemplo disso. Vemos personificado, esse sentimento de abandono, quando vemos o Castelinho da Rua Apa, prédio tombado pelo patrimônio histórico, construído em 1912 , situado na Rua Apa, 236, esquina com Avenida São João, 2150, que hoje encontra-se em ruínas.
O imóvel, que desde 1997 foi repassado da União, em regime de concessão de uso, para a Oficina Profissionalizante Clube de Mães do Brasil, tem uma longa história em seu registro. O terreno, onde está localizado o imóvel, pertenceu ao Brigadeiro Luiz Antonio de Souza Queiroz, o Barão de Limeira; em seguida a Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá ou Barão de Mauá, tendo sido, em 1878, vendido para o arquiteto alemão Frederico Glette e Victor Nothmann, para criação de um loteamento e em 1912, adquirido pela família da alta sociedade, Guimarães dos Reis, que solicitou a construção do atual imóvel, uma réplica de um castelo medieval, projeto de arquitetos franceses.
Na época, o bairro era considerado de localização privilegiada, pois estava próximo a Estação de trem Sorocabana – atual estação Estação Júlio Prestes e da Estação da Luz e, ao mesmo tempo, não muito longe do centro da cidade, tendo ainda em suas cercanias o principal hospital da cidade na época, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e a residência oficial do então Presidente do Estado de São Paulo (atual governador do Estado): o Palácio dos Campos Elísios, na Avenida Rio Branco.
Em 1937, a propriedade foi palco do “Crime do Castelinho”, que vitimou Maria Cândida Guimarães Reis e seus filhos, Armando e Álvaro, encontrado mortos a tiros. Sem herdeiros diretos, o imóvel, passou a ser propriedade da União, que alugava o imóvel a terceiros, mas após 1971, com a construção do Minhocão, os inquilinos sumiram e começou a decadência do imovel.
Sem moradores e sem a realização de manutenção de sua conservação, por parte do poder público, mesmo após seu tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), em 2004, através da Resolução 20/2004, o Castelinho entrou em processo de deterioração.
Em 1988, semi-arruinado, serviu de locação para uma breve cena do filme brasileiro, o “Fogo e Paixão”, com a atriz Fernanda Montenegro aparecendo na janela principal da casa, caracterizada como uma espécie de rainha caolha, com as duas janelas redondas da torre, uma aberta e a outra fechada.
Em 1997, já em avaçado estado de má conservação, foi concedido pela União à entidade assistencial Clube de Mães do Brasil, no entanto, sem recursos para reforma, à degradação do imóvel continuou, e hoje o Castelinho está quase inutilizável, sem telhado, piso do primeiro andar e forro do térreo, restando pouco mais do que as paredes.
Decisão Judicial de Restauração
Em novembro de 2008, o desembargador Federal Roberto Haddad, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, determinou que a União Federal restaurasse o Castelinho da Rua Apa. A decisão se deu em ação civil pública movida pela Associação Preserva São Paulo. Na sentença, o TRF aponta que a União fica obrigada a elaborar projeto estrutural e executar obras que eliminem o risco de desabamento do imóvel no prazo de 90 dias, e também deveria apresentar projeto de restauração e conservação do Castelinho no prazo de 180 dias. Porém a União entrou com recurso, que aguarda julgamento. Enquanto isso, o Castelinho, prossegue em ruínas, ruindo com si um pouco da história de São Paulo.












Eu gostaria de saber sobre a história ou sendo mais exato sobre o crime ocorrido na residência… Obrigado e parabéns bela ótima matéria.
è uma pena, se quem pediu para poder fundar uma entidade e não preserva o que têm, visto que prefere que desabe para construir algo de seu interesse!!!!è um absurdo!!!
Olá…sou moradora da Rua Apa a exatos 24 anos, e acompanho de perto esta história. Espero que este recurso seja logo julgado, sendo favorável para a restauração. Ficamos na torcida!!!
Gostaria de saber se alguém pode comprar(torna-lo particular pessoa física)esse castelinho!!!para restaura-lo !!! se alguém souber me responder favor comunicar pelo e-mail: annibal_fernandes@hotmail.com
Tenho interesse em compra-lo… não moro no Brasil, porém sou brasileiro e gostaria de compra algo desse estilo
Tatiana, oi! Sou estudande de Arquitetura e urbanismo na Universidade Paulista e estou fazendo um projeto de restauro para o Castelinho da Rua Apa através da matéria de técnicas retrospectivas de restauro. Considerei está matéria muito interessante e colaborativa para o trabalho que estou desenvolvendo em grupo. Se você puder fazer a gentileza de me passar fontes de pesquisa referente as datas que você postou dos primeiros donos da área do Castelinho e tantas outras tiver ficareí muito feliz.
Ah! Por ventura você sabe quando ínicio a construção do Castelinho e quando terminou.
Abraço.
Olá Reginaldo, tudo bem?
tomei conhecimento de sua indagação, quando voce disse no dia 23 de agosto de 2009, que gostaria de saber mais sobre o crime do castelinho da rua Apa com Av.São João em São Paulo. Tenho algumas
informações que poderá ser útil a voce, senão vejamos:
O antigo Jornal Diário Popular de São Paulo, consta uma matéria
escrita por um Advogado de nome Mílton Bednarski narrando notícias
que desejava montar naquele local um acervo contando as hitórias dos
crimes mais famosos de São Paulo, historiando que foi no dia 12 de
maio de 1937, ali ocorrera o crime ceifando a vida de todos moradores.
Consta que no rico castelo moravam apenas três pessoas de uma mesma familia, ou seja, a mãe dona Maria Candida e, os dois filhos Alvaro e
Armando, quando no meio de um desentendimento por questões de dinheiro,Armando o filho mais velho que tambem era Advogado, de posse
de uma pistola 7.65, alvejou mortalmente o irmão Alvaro, praticando
em seguida a mesma atrocidade com a mãe, e em seguida deu cabo a sua
própria vida.
- Muito boa essa reportagem do Castelinho, que sempre chamou a atenção pela sua arquitetura antiga – paredes que calam tantas estórias. A reportagem nos contou como surgiu o castelinho e nos reportou a um São Paulo antigo, que interessante aquela época dos barões do café e outras personalidades que fizeram parte da estória de São Paulo e que hoje desapercebidamente dão nomes a ruas tão conhecidas da cidade. Gostaria de ver mais reportagens desse tipo.
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