Página Inicial » Biblioteca do Registro, História do Registro

Criador do elixir da vida era notário

Por Tatiana Cintra
21 agosto 2009 15h47m

A+ A- Mudar o tamanho da letra

Imprimir Imprimir Enviar por E-mail Enviar por E-mail

Gravura de Flamel. Um notário alquimista ou alquimista notário?

Gravura de Flamel. Notário alquimista ou alquimista notário?

“Eu, Nicolas Flamel, escrivão e vizinho de Paris, neste ano de 1399, residindo na minha casa da Rue des Escrivains, perto da capela de St. Jacques de la Boucherie. Ainda que tenha aprendido só um pouco de latim devido aos escassos meios dos meus pais, que, apesar de tudo, eram estimados como gente de bem… Assim pois, quando depois da morte de meus pais, ganhava a vida com a nossa arte da escrita , fazendo inventários, contas, travando os gastos de tutores e de menores…” (trecho do testamento de Nicolas Flamel, em que ele próprio se afirma um notário) 

Criador da Pedra Filosofal, do Elixir da Vida e conhecedor do processo de transmutação de metais em ouro. Essas são as lendas que rodeiam Nicholas Flamel, francês do século XIV, conhecido como um dos maiores alquimistas da história. Mas poucos sabem que seu sustento não veio da alquimia na maior parte de sua vida, mas das atividades como notário, uma vez que somente se tornou conhecido após sua morte.

Numa época que poucos sabiam ler e escrever, a figura do notário era essencial para pôr no papel qualquer tipo de transação e registrá-la. Valendo-se disso, e pressionado a se sustentar após a morte dos pais, Nicolas Flamel, até então um apaixonado por poesia e pintura, lançou-se na profissão de notário.

Numa França em rápido crescimento Flamel vivia na cidade de Pontoise, localizada a pouco mais de 20 km de Paris, que tinha uma via dedicada exclusivamente ao registro e conhecida como Rue des Escrivains, a  Rua dos Escrivãos. Flamel montou um pequeno estande de madeira na região e começou a registrar negociações, copiar livros e manuscritos (a imprensa só seria inventada cem anos mais tarde) e a dar aulas de caligrafia para os mais ricos, ensinando-lhes, entre outras coisas, como assinar o próprio nome.

Na época, os registros assemelhavam-se mais a cartas do que a contratos. O formato do registro em livros, como conhecemos hoje, data de meados do século XIX, quando foi instituído revigorado ou modernizado em diversos países, incluindo França, Brasil, Espanha e Portugal. 

Com o negócio indo bem e depois de se casar com madame Perenelle, viúva de posses, Flamel, aos 28 anos, contratou uma equipe de assistentes e comprou uma casa na Rue des Escrivains para abrigar seu negócio e também residir, local onde permaneceu até o fim de sua vida. 

O livro que lançou o notário no mundo da alquimia

O livro que lançou o notário no mundo da alquimia

Nessa época o jovem notário teria tido um estranho sonho em que via um livro revestido de capa de cobre, cujas folhas pareciam feitas de cascas finas ornadas de magníficas ilustrações, e um anjo que lhe dizia: “olha bem este livro; parecer-te-á obscuro como a todo o mundo, mas um dia verás aquilo que é preciso ver e saberás o que ninguém sabe…”. Adormecido, estendeu a mão para receber o livro, mas o sonho desfez-se e acordou subitamente.

O tal livro seria “O livro dos números hieroglíficos”, pertencente a Abraão, do Velho Testamento, que teria, segundo historiadores, servido como base para sua criação na alquimia e motivação para Flamel abandonar o dia a dia dos registros e notas e se dedicar exclusivamente à alquimia, deixando nas mãos de seus funcionários o negócio.  

Da alquimia surgiram as lendas, que nunca foram provadas, restando somente o misticismo. No entanto, permaneceram na história suas obras destinadas à caridade – 7 igrejas, 3 capelas e 14 hospitais espalhados pela França – bem como o mundo do registro e das notas.

Publicado por: Imprensa ARISP




Participação dos leitores Um Comentário»

Deixe seu comentário!


 RSS dos comentários
  • Francisco Cláudio disse no dia 2 setembro 2009 às 23:35

    Interessante a informação. Quem diria que um notário tornar-se-ia um mestre da alquimia ?

ISSN: 2175-1595