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	<title>iRegistradores &#187; Crônicas</title>
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	<description>Conectando Registros e Pessoas</description>
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		<title>Helvécio Duia Castello</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 22:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Jacomino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<category><![CDATA[Portal de Notícias, Notícias do Meio e Notícias Arisp]]></category>

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		<description><![CDATA[O Instituto de Registro Imobiliário do Brasil &#8211; Irib experimenta mais uma mudança em sua longa e rica trajetória.
A partir do primeiro dia útil de 2010 assume a Presidência do Irib o registrador mineiro Francisco José Rezende dos Santos, oficial do 4º Registro Predial da comarca de Belo Horizonte. Chico Rezende sucede a Helvécio Duia Castello, registrador de Vitória, Espírito Santo, Presidente do Instituto e que foi o vice-presidente na gestão sob a minha cura.
É preciso encerrar o ano e a gestão de Helvécio com chaves de ouro e dedicar ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_5131" class="wp-caption alignleft" style="width: 238px"><a href="http://registradores.org.br/wp-content/uploads/2009/12/HDCastello.jpg" rel="lightbox[5126]"><img class="size-full wp-image-5131  " title="HDCastello" src="http://registradores.org.br/wp-content/uploads/2009/12/HDCastello.jpg" alt="Helvécio D. Castello" width="228" height="304" /></a><p class="wp-caption-text">Helvécio D. Castello</p></div>
<p>O Instituto de Registro Imobiliário do Brasil &#8211; Irib experimenta mais uma mudança em sua longa e rica trajetória.</p>
<p>A partir do primeiro dia útil de 2010 assume a Presidência do Irib o registrador mineiro Francisco José Rezende dos Santos, oficial do 4º Registro Predial da comarca de Belo Horizonte. Chico Rezende sucede a Helvécio Duia Castello, registrador de Vitória, Espírito Santo, Presidente do Instituto e que foi o vice-presidente na gestão sob a minha cura.</p>
<p>É preciso encerrar o ano e a gestão de Helvécio com chaves de ouro e dedicar a ambos, Chico e Helvécio, algumas poucas palavras que, na condição de Conselheiro vitalício e ex-presidente do Instituto, calhariam muito bem, por sinalizar, interna e externamente, que a família iribiana sabe muito bem recompor os seus laços de entendimento e concórdia.</p>
<p>As instituições se projetam para além dos indivíduos que lhe emprestam ânimo e vigor. É certo que não há verdadeiras instituições humanas sem o concurso de uma fieira interminável de pessoas que lhe emprestam o seu sopro vital. Mas é bem verdade, também, que aquelas representam algo muito maior do que as personalidades que eventualmente as integram &#8211; como o todo é sempre maior do que a mera soma de suas partes.</p>
<p>O reconhecimento público do valor do Irib e de suas lideranças é necessário &#8211; agora mais do que nunca, neste momento convulsionado em que vivemos no seio das instituições notariais e registrais brasileiras.</p>
<p>Uma nova etapa se inaugura. Um novo trecho do caminho há de ser percorrido, novos desafios, novas batalhas haverão de ser travadas e &#8211; Deus avante! &#8211; vencidas. Mas o nosso destino não se descola do nosso passado. Um olhar retrospectivo, desapaixadonado, haverá de descerrar um fato inquestionável: houve um esforço coletivo, sincero, dedicado, resultado da contribuição de cada um de nós &#8211; com suas virtudes, qualidades, defeitos &#8211; buscando engrandecer a instituição do Registro Imobiliário Brasileiro. Bem ou mal, pavimentamos outro trecho dessa longa estrada.</p>
<p>Helvécio ultrapassou o seu período navegando um mar proceloso. Foram muitos os desafios e ameaças. Instaurou-se a discórdia, a cizânia. Em meio à tempestade, buscou, à sua maneira, direcionar o Registro no rumo que hoje nos parece certeiro: a modernização tecnológica do Sistema Registral pátrio. Foi um Presidente que elegeu a ultrapassagem do paradigma da mecanização do registro por outro, o do<em> admirável mundo novo </em>representado pelos meios digitais.</p>
<p>Documentos eletrônicos, assinaturas digitais, interconexão, computação em nuvem, carimbo de tempo, certificados digitais, novos conceitos entraram para a agenda política do Instituto e vincaram a pauta da gestão que ora finda.</p>
<p>Helvécio perseguiu tenaz e diligentemente o que lhe pareceu ser o norte do Registro. A sua contribuição haverá de ser reconhecida. Deixa assentado o seu tijolo na construção da bela história institucional de nossa categoria.</p>
<p>A Chico Rezende auguro muito sucesso na jornada que se avizinha  A Helvécio desejo muita sorte em todas as atividades que ainda há de realizar em prol da categoria. A ambos agradeço a compreensão, a solidariedade e a generosidade na aceitação das virtudes e dos defeitos &#8211; que todos nós somos seres humanos e de boa vontade!</p>
<p>Feliz ano novo!</p>
<p>Sérgio Jacomino.</p>
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		<title>Dr. Ermitânio: a segurança jurídica é um estandarte contra a barbárie!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 15:49:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Jacomino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Portal de Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[cartórios]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Jacomino]]></category>

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		<description><![CDATA[Dr. Ermitânio Prado esteve internado para tratamento médico em um conhecido sanatório paulistano.
Estava abatido quando nos recebeu para uma conversa amena que acabou versando sobre temas de seu particular interesse &#8211; música, paleografia, história e direito.
Falamos a tarde inteira sobre Wagner e a ruptura dos cânones harmônicos tradicionais representados pela música européia decimonômica. Divagou longamente sobre a tensão latente no prelúdio de Tristan und Isolde que, segundo ele, musicalmente representa a progressiva dissolução do espírito medieval e esboroamento da identidade espiritual da cristandade européia. &#8220;Tudo isto galgando um poderoso mito!&#8221; ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><span style="line-height:17px;"><img class="alignleft size-full wp-image-797" title="Catacumbas" src="http://registradores.wordpress.com/files/2009/05/catacumbas.png" alt="Catacumbas" width="294" height="256" /></span>Dr. Ermitânio Prado esteve internado para tratamento médico em um conhecido sanatório paulistano.</p>
<p>Estava abatido quando nos recebeu para uma conversa amena que acabou versando sobre temas de seu particular interesse &#8211; música, paleografia, história e direito.</p>
<p>Falamos a tarde inteira sobre Wagner e a ruptura dos cânones harmônicos tradicionais representados pela música européia decimonômica. Divagou longamente sobre a tensão latente no prelúdio de <em>Tristan und Isolde</em> que, segundo ele, musicalmente representa a progressiva dissolução do espírito medieval e esboroamento da identidade espiritual da cristandade européia. &#8220;Tudo isto galgando um poderoso mito!&#8221; &#8211; junge.</p>
<p>— A harmonia se enerva em sucessivas séries &#8211; diz ele &#8211; e eleva-se em brilhantes vagalhões harmônicos que se superpõem e tensionam a estrutura tonal aos seus limites&#8230;</p>
<p>— &#8230; fazendo prever o surgimento de uma nova música? &#8211; atalho provocativamente o tradicionalista advogado bandeirante.</p>
<p>— Uma nova <em>velha arte</em>, se se queira! Velha arte total! &#8211; resmunga.</p>
<p>Tira de uma delgada carteira de couro um livro que diz estar lendo com muito proveito. Diviso na lombada a inscrição <em>O</em><em>bras Completas de C. Gustav Jung. </em></p>
<p>Diz que o homem espiritual deve sobreviver na modernidade e que Wagner experimenta os limites harmônicos como quem prova da água na fonte e, a exemplo de Paracelso na sua especialidade, deixa antever o relativismo cientificista que será o espírito dominante que se precipitará como a marca da humanidade a partir do final do século XIX.</p>
<p>Palrando excitado sobre a imersão do homem medieval no mundo espiritual traça a trajetória da sua chegada ao materialismo para atingir, logo após, e novamente, o mundo espiritual esquecido. Busca gizar os paralelos entre a música de Wagner e os impulsos da modernidade, indicando que é necessário reconhecer o homem medieval, com seus valores espirituais, na humanidade que desponta.</p>
<p>Dr. Ermitânio nunca deixar de afirmar-se um tradicionalista. Volta a Jung. Lê em voz empostada e tonitroante o trecho destacado e iluminado por traços mentais:</p>
<blockquote><p>&#8220;Para ele [Paracelso], homem e mundo são um agregado vivo da matéria, uma concepção que mantém afinidade com o ponto de vista científico do final do século XIX. Há, porém, uma diferença: Paracelso ainda não pensa mecanicamente, em termos de matéria química inerte, mas de maneira animista primitiva. A natureza, para ele, ainda é povoada de bruxas, íncubos, súcubos, diabos, sílfides e ondinas. Para ele, a vivência psíquica é, ainda, uma vivência da natureza. A morte psíquica do materialismo científico ainda não o atingiu, mas ele está preparando o caminho para esse fim. Ele ainda é um animista, de acordo com o primitivismo de seu espírito e, no entanto, já é um materialista. A matéria, como o absolutamente oposto no espaço, é o inimigo mais natural daquela concentração do ser vivo, que é a alma&#8221;.</p></blockquote>
<p>E conclui de maneira muito interessante:</p>
<blockquote><p>&#8220;Logo o mundo das ondinas e sílfides chegará ao fim [indica a chegada do materialismo científico] e somente na Era do espírito terão festiva ressurreição quando então, surpresos, nos perguntaremos como foi possível esquecer tão antigas verdades. Contudo, é bem mais fácil admitir que aquilo que não se entende, não existe&#8221;.</p></blockquote>
<p>Depois deixa-se quedar em silêncio. Eu o respeito e acompanho nesse mutismo expressivo. Seus olhos estão embaciados, perdem-se na larguesa de um branco indizível.</p>
<p>Depois de um longo interregno, provoco-o sobre a situação dos cartórios brasileiros &#8211; de quem o Dr. Ermitânio é um crítico contundente, mas também um defensor, por acreditar que a segurança jurídica é um estandarte contra a barbárie. Diz o causídico:</p>
<p>— Caem os Registros, caem as instituições; esvai-se o sentido do mundo, registrado escrupulosamente em pesados livros protocolos.</p>
<p>Ermitânio diz que a propriedade se relativiza e a música se atonaliza. O homem escamba a essência em troca da sua existência no mercado de consumo. Seus direitos sideraram-se em metáforas confusas e contraditórias e protegem as aparências&#8230;</p>
<p>— Q<em>u&#8217;est-ce que la propriété? Qu&#8217;est-ce que la propriété? &#8211; </em>agita-se. E logo responde: a propriedade é um roubo&#8230; <em>et pour cause, </em>assaltemos o proprietário, profanemos a propriedade!&#8221;.</p>
<p>Fiando-se nas predições do Dr. Ermitânio, talvez as corporações não tenham forças para soerguer a montanha.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-824" title="Catacombs-of-Naples" src="http://registradores.wordpress.com/files/2009/05/catacombs-of-naples.jpg?w=201" alt="Catacombs-of-Naples" width="201" height="300" /></p>
<p>— É chegada a hora de descer às catacumbas, eis que seremos perseguidos e massacrados pelo <em>senso comum teórico</em> dos eruditos de açougue travestidos de burocratas e peritos&#8230;</p>
<p>Temo o haver excitado em demasia. Busco voltar a Wagner, a Jung, mas ele segue a bramir e a vociferar, como o leão do Jocquey:</p>
<p>— De norte a sul se dirá: cartórios nunca mais! E eis que eles resistirão, de uma forma ou de outra, pois as pessoas insistem em nascer, morrer, copular, ter, não ter, dar, receber, comprar, vender, e os homens &#8211; ah! esses estranhos peregrinos nesta terra ignota -, eles não deixam de anotar suas venturas e desventuras em pequenos cadernos que atravessaram o arco dos tempos!</p>
<p><em>Kollemata, </em>Dr. Ermitânio<em>, kollemata!</em></p>
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